❝Mas eu tento não pensar em você, sabe. Eu tento e acabo sempre traída por mim mesma. Quem é que eu to querendo enganar? Tudo aqui tem a tua essência. Aqui, lá, no jardim, na rua, no céu. Mas eu também sinto a sua falta, e isso me consome dia após dia. Tenho tido dias difíceis desde que você e eu… bem, desde que deixamos de pertencer um ao outro. Ainda lembro das suas palavras, frias como gelo, ditas por uma voz que não era a que eu estava acostumada. Palavras que me atingiram como facas afiadas, palavras ensaiadas, ditas pra machucar. Tentei engolir o choro, mas eu sou fraca, sempre fui. Você acertou bem no meu ponto fraco, e a única coisa que eu pude entender, é que eu tinha te perdido. Fiquei sem chão, sem reação, sem vida. Sempre aceitei que tirassem qualquer coisa de mim, menos você. E do nada, depois do tanto que eu tinha lutado por nós, você resolve sair da minha vida. As pessoas passaram a me olhar diferente, passaram a me olhar com dó, como se eu fosse digna de pena. Ninguém falou nada, mas eu entendia o olhar delas como se dissessem “eu te avisei”. Eu não liguei, ninguém ali poderia entender o que eu estava passando. Por mais que eu tentasse explicar, seria em vão. Decidi que o melhor para mim, era ficar longe de tudo e de todos. Deixei de frequentar os lugares que costumávamos ir, deixei de assistir nosso filme favorito, deixei de escutar a música que me lembrava você, deixei de usar aquele vestido que você gostava. Desliguei o celular, me desliguei. Desapareci, sumi sem deixar vestígios. Me sinto um pouco mais forte do que antes, mas finjo não ficar abalada quando te vejo passar na rua, escondida na janela, com outra garota. Tento não pensar que devia ser eu no lugar dela. Finjo não sentir o teu perfume suave quando o vento balança as cortinas do meu quarto. Apenas finjo. Mas ainda assim, sinto que aos poucos estou me desapegando de você e das lembranças, assim como também sei que é questão de tempo até que eu te esqueça. E quem sabe um dia, a felicidade volte a bater na minha porta. Assim espero.
❝Tudo me faz pensar outra vez no nosso caso sem resolução. Nas palavras doces que você disse e eu retribuí, na necessidade de abraçar e fugir, na vontade de ser somente aquele momento e nada mais. Estamos em uma velha caixa de “amores que não são para ser”. Não somos para ser. Nunca fomos. Houve um tempo em que eu duvidava do destino.
❝Que o dia seja leve e passe bem rápido. Que tenha sol e um ventinho pra refrescar, pra que a gente se enrole na coberta e queira ficar junto, bem junto ao ponto de não se soltar. Que tenha chocolate quente, pipoca e um filme pra gente rir. Que haja alegria e menos brigas pra gente se amar. Que tenha beijos, carinhos e elogios. E que tenha fé, pra nunca desistir do que a gente quer.
❝Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas.
❝Bom mesmo é ficar assim, perto, abraçado, juntinho. Sem hora, sem compromisso, sem querer se soltar. Estar junto pelo simples fato de ter um ao outro, de ter com quem contar.
❝Eu acredito que tudo acontece por um motivo. As pessoas mudam para que você possa aprender a deixá-las, as coisas dão errado para que você possa dar valor a elas quando estiverem certas, você acredita em mentiras e eventualmente aprende a confiar em ninguém exceto você mesmo e as vezes coisas boas dão errado para que coisas melhores possam dar certo.
❝Talvez eu queira demais. Não só de mim, entende? Dos outros também. Espero que descubram, por trás dos meus disfarces, toda a coisa. Porque as nossas angústias usam máscaras. E eu tenho uma mania de ser valente, dá até medo. O mundo entra na mochila e ela fica mais pesada que rocha. Aí brinco de tartaruga e quero levar tudo dentro. Nem eu me seguro, ora. Não sei porque insisto. Às vezes não dá, tenho que aceitar isso. Não é vergonhoso, nem fraco, é que não dá. Porque não. Mas, você sabe, não aceito essas respostas.
❝Eu definitivamente não consigo me desligar das pessoas. Todo mundo é meu pra sempre, mesmo que seja eu quem tenha ido embora.
❝Quando tive certeza de que era ele naquele ônibus lotado comecei a pensar em como a vida me prega peças. Por tantas vezes desejei encontrar ele por aí, vê-lo de longe apenas para matar a saudade dos meus olhos que viram nele algo que as pessoas de hoje não costumam carregar. E então ele sorriu, não pra mim, nem para ninguém, apenas sorriu, do nada. Um sorriso meio torto puxando só um canto da boca. Eu ainda não o tinha visto sorrir - sorriso de quem com vergonha de que percebam que está a rir sozinho, daqueles que duram um segundo e nove décimos. Foi quando ele percebeu que alguém olhava - que eu olhava - e por estar distraído demais, talvez, que eu não desviei o olhar quando os olhos deles encontraram os meus - não tenho certeza, mas acho que são azuis acinzentados, mas podem ser castanhos também, não sou bom com detalhes, não que eu tenha enxergado de tão longe, mas por já ter o visto de perto consegui imagina-los mesmo longe - e por um momento grande, ou vários momentos miúdos - pois tudo depende do que cada um usa para separar um momento de outro - nossos olhares se sustentaram, até quando era possível enxergamos um ao outro. Eu não sei mais quando o verei, já que só o vejo quando não o procuro, mas de uma coisa eu pude ter certeza assim que nossos olhares se quebraram: eu sonharei com aquele sorriso torto essa noite.